A DSM está pedindo à União Europeia que exija o uso do ácido araquidônico ômega 6 (ARA) na fórmula infantil, que é naturalmente equilibrado com o ácido docosahexaenóico (DHA) no leite humano. O DHA é obrigatório na nutrição infantil desde 2020 na União Europeia, enquanto o ARA permaneceu opcional.
“O leite humano é o padrão ouro da nutrição infantil e sempre contém ARA e DHA. Recomendamos fortemente que os formuladores de nutrição infantil sigam o conhecimento científico existente e baseiem seus produtos na composição do leite humano”, disse Kristen Finn, cientista líder em nutrição precoce da DSM.
A DSM alerta que a ausência do ácido graxo ômega 6 pode afetar negativamente o crescimento e o desenvolvimento de recém-nascidos, principalmente aqueles com variações genéticas específicas.
Segundo José Manuel Moreno Villares, coautor de um estudo recente que examina o papel do ARA e do DHA em bebês, há uma lacuna significativa entre o conhecimento científico e o raciocínio por trás dos regulamentos da União Europeia. “Estamos cientes da segurança e dos efeitos positivos da adição de ARA e DHA às soluções de nutrição infantil, especialmente para o desenvolvimento visual e cognitivo. No entanto, atualmente não há dados disponíveis relacionados ao uso de DHA sem ARA”, acrescentou.
De acordo com Finn, muitos especialistas em nutrição infantil concordam que tanto o DHA quanto o ARA devem ser adicionados às fórmulas para bebês, com a maioria dos grupos defendendo que sejam adicionados em quantidades iguais. A cientista em nutrição da DSM explica que a maioria dos regulamentos globais exige uma proporção ARA:DHA de pelo menos 1:1. É o caso dos Estados Unidos, China, Austrália, Nova Zelândia, México e Brasil. Essas quantidades estão de acordo com a composição natural do leite humano, que possui uma proporção média de 1,5:1 ARA:DHA. “A DSM suporta ARA e DHA em fórmulas infantis em uma proporção de pelo menos 1:1 ARA:DHA, mas idealmente dentro da faixa de 1,5:1 a 2:1 ARA:DHA”, observa Finn.
As fórmulas infantis com ARA e DHA nesses níveis foram amplamente estudadas e demonstraram ser seguras e ter um impacto positivo na saúde infantil. Além disso, Finn ressalta que evidências clínicas recentes demonstraram resultados benéficos no desenvolvimento neurológico de longo prazo de fórmulas infantis contendo ARA em níveis pelo menos iguais aos de DHA.
A suplementação de ARA é particularmente importante para bebês portadores de variações genéticas chamadas polimorfismos FADS. Esses genes estão envolvidos na síntese de ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa, um processo que já é inadequado durante a infância para atender à demanda do organismo. As enzimas são necessárias para converter o ácido linoleico (LA) e o ácido α-linoleico (ALA) em ARA e DHA. Mas pessoas com polimorfismos FADS possuem atividade enzimática prejudicada. Os bebês com esses polimorfismos dependem especialmente do ARA pré-formado do leite humano ou da fórmula infantil, pois têm uma capacidade reduzida de sintetizar o ARA a partir do LA.
A regulamentação da União Europeia exige que todas as fórmulas infantis contenham os ácidos graxos LA, ALA e DHA, destacando a reconhecida importância desses ingredientes.
Enquanto muitos nutrientes para recém-nascidos coincidem com as recomendações nutricionais pré-natais, como o DHA, Finn afirma que o ARA não é um deles. A maioria das mulheres consome ARA suficiente em suas dietas, então a suplementação normalmente não é recomendada.
Por outro lado, a suplementação de DHA é frequentemente recomendada no pré-natal porque muitas mulheres não consomem DHA suficiente em suas dietas e o DHA é importante para o desenvolvimento fetal.
A suplementação de DHA em mulheres grávidas também demonstrou diminuir a incidência de parto prematuro e prematuro precoce, orientando as recomendações nutricionais pré-natais na Austrália.
Fonte: Nutrition Insight